sábado, 9 de maio de 2015

Entrevista - Francélia Pereira

1. Quando se envolveu com a escrita?

Na adolescência eu escrevia alguns textos e poemas; mas aos vinte anos troquei os textos pela música, foi uma época em que eu tocava contrabaixo, primeiro em uma banda de Pop Rock e depois em uma banda autoral de Heavy Metal. Parei de tocar aos vinte e cinco e só depois dos trinta eu voltei a me envolver com arte, resgatando a Literatura. Foi quando decidi fazer uma graduação em Letras.

2. O que você quer passar para seus leitores?

Meus textos sempre têm a pretensão de convidar o leitor a pensar sobre algum assunto, seja a questão dos gêneros, como no livro Habitantes do Cosmos: Artemísia, ou a questão da importância de se conhecer o passado, tanto o passado da humanidade em geral quanto a História pessoal de cada um, de nossa família, nossa infância, enfim; tento mostrar que há muito a se aprender sobre o presente, sobre quem somos e onde estamos, ao se olhar para trás, esse é o grande tema do Habitantes do Cosmos.
Mas, no geral, meus textos se voltam para a sociedade brasileira; pois tento trabalhar os temas de acordo com a realidade da nossa sociedade.


3. Sabendo que nos dias de hoje os jovens tem se interessado mais pela leitura, qual é o seu público alvo?

Bem, meus textos não têm um público específico; não é uma Literatura escrita para crianças, mas, acredito que atenda as expectativas de um público amplo, são textos que podem ser lidos a partir dos 11 ou 12 anos, e, acredito que, em cada faixa etária as pessoas vão se identificar com algo nos textos. Apresento as obras em uma linguagem bem acessível, bem simples; embora as temáticas sejam um pouco complexas, tento simplificar o máximo que posso e tento manter uma linguagem bem atual.

4. Conte como foi sua experiência de começar a escrever livros.

Meu primeiro romance foi o Habitantes do Cosmos. Desenvolvi essa história para participar de um concurso de Literatura em Belo Horizonte. O concurso, e o prazo para a entrega, foram minha maior motivação para completar a obra; antes eu já havia me arriscado a começar um livro, mas parei na metade e a inspiração foi embora, rs.
Enquanto eu terminava o Habitantes do Cosmos, acabei conhecendo pessoas que me motivaram bastante, e isso fez toda a diferença. Desde então, escrever se tornou algo natural.

5. Dizem que os personagens dos livros têm um pouco do autor. O que tem no seu livro sobre você? Por quê?

O Habitantes do Cosmos: Artemísia tem muito de mim. Muita coisa que tenho observado a vida inteira, muita coisa que acredito; e isso tudo se manifesta através dos personagens. Principalmente a Artemísia, que é uma personagem com a qual me identifico bastante, embora eu não tenha vivido nada que ela viveu; mas a personalidade dela tem um pouco de mim, com certeza.

6. Quais seus autores e livros favoritos?

Tenho uma grande lista de autores favoritos, rs; mas vou citar alguns: Heródoto, Hesíodo, Homero, Platão, Ovídio, Franz Kafka, Aldous Huxley, Eliane Potiguara, Clarice Lispector, Daniel Munduruku, Kaká Werá, Hermes Leal...
Meus livros favoritos também são muitos, também vou citar alguns: A terra dos mil povos, Mahabharata, O Ramayana, A Ilha, Metamorfoses, O Livro de Enoch, O Último Cabalista de Lisboa, I Ching...

7. Quais são seus próximos projetos?

Pretendo continuar a escrever os livros da série Habitantes do Cosmos, já estou escrevendo o segundo capítulo do terceiro volume; também pretendo trabalhar em um projeto de HQ, que envolve a mitologia brasileira, mas não tem nada a ver com o Boto ou o Saci do Sítio do Pica Pau Amarelo, rs; se tudo der certo, vai ser um trabalho bem diferente do que se tem visto por aí.

8. Qual é a sensação de saber que estão lendo seus livros? Qual é a sensação de ter seu trabalho reconhecido?

É fantástico! É muito gratificante e um incentivo enorme saber que as pessoas estão lendo os meus textos, mas o mais importante é perceber que não sou a única idealista no Brasil, tem muita gente que compreende as mensagens dos meus textos e me apoiam, isso tem um valor indescritível pra mim.
Nunca tive a pretensão de ganhar dinheiro ou fama com Literatura, minha intenção foi levantar, com os textos, questões que a meu ver são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e mais saudável; e fico muito feliz quando alguém me envia mensagens com suas opiniões bem maduras e bem conscientes sobre essas questões. Isso me dá muita esperança. Sempre trabalhei em projetos voltados para o público e percebi que o que precisa mudar em nosso país não está nas mãos da Escola ou do Governo, mas sim em nossas próprias mãos, pois o que precisa mudar somos nós, nossa forma de conviver uns com os outros; o brasileiro precisa de uma transformação interior e percebi que somente através da Arte isso é possível, pois é ela que desperta essa transformação. 

9. Quando era criança, você pensava em escrever um livro?

Não. Eu adorava livros na infância, mas nunca havia me imaginado Escritora. Só pensei em escrever livros depois de adulta.

10. Você em um novo projeto pensou em basear memórias de sua vida pessoal que não tenha falado para ninguém e publicar em um livro?

Nunca pensei em escrever sobre mim, não acredito que minha vida seja interessante a ponto de se tornar um livro...rs.

11. O que, hoje, seu trabalho como escritora mudou sua vida?

Tudo, rs. Hoje não consigo me ver fazendo outra coisa a não ser escrever.

12. Como vê sua vida hoje? Está feliz, satisfeita ou quer algo mais?

Eu diria que estou feliz, pois sinto que estou seguindo o caminho certo; mas não quero parar onde estou, quero continuar seguindo em frente.

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